Corra, porra! Corra!

A pedra no tênis de quem corre nos parques de Goiânia é quem se exercita em bando. Casais, amigos e famílias caminham lado a lado como se fossem os donos da pista. Quando não estão de mãos dadas, o espaço entre eles não dá pra gente passar. Como se não bastasse, não andam em linha reta, ficam “dançando”. Vc tenta passar por um lado, te fecham. E quando vêm em direção contrária? Nem cogitam a possibilidade de se colocar um atrás do outro ao cruzar com alguém. Continuam uns ao lado dos outros. Quem quiser que vá para a grama e torça o pé. Não falei nada sobre quem anda com cachorros sem coleira, hein!

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Dodi, de “A favorita”, é cocainômano. Percebi isto desde o início da novela. Reparem nos sinais.

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A Rede Marcos de Supermercados mantém uma política de empregar deficientes e idosos como empacotadores. Tem surdo, velha, paralíticos. A princípio, uma iniciativa elogiável. Além de oferecer um serviço que os outros supermercados aboliram há muito tempo, ainda promove uma ação inclusiva. Mas tem um problema. Esse pessoal faz mais coisas erradas que os seus antigos colegas de profissão, por motivos óbvios. E ficamos constrangidos se tivermos que reclamar. Conheço alguém que gritou com um bó-bó-bó pq ele colocou 3 garrafas de vidro de um litro em um mesmo saco. A pessoa ficou um pouco envergonhada quando o empacotador saiu carregando as sacolas e arrastando o pé.

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Se vc é homem, branco, católico e heterossexual, sinto informar, está desamparado. Nenhuma ONG está preocupada com vc. Se fosse mulher, preto, índio, criança, velho, gay, muçulmano, etc., poderia ficar tranqüilo. Teria vaga garantida na universidade pública, prioridade no atendimento bancário, entrada franqueada em show, carteirinha pra pegar ônibus, pedaço de terra, dinheiro, cesta básica, assessoria jurídica, apoio psicológico, o caralho de asa. O homem branco católico heterossexual é a Geni de hoje.

Escrito por Pequiman às 16h13
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TV aberta

Eu boicoto a Record. Não só pq é da Igreja Universal. Tb pq faz um jornalismo rasteiro, imbecil, politicamente correto e esquerdóide. O “Fala Brasil”, então, é de uma cretinice sem tamanho. A apresentadora (até hoje não sei o nome dela) faz comentários como a Leda Nagle, com a ironia típica da esquerda que se julga dona da verdade. Eu me irrito. Ainda vou ter um enfarte por causa de besteira.

Anteontem, uma reportagem mostrou uma ação da polícia que resultou na prisão de um ladrão de carro, sem disparar um tiro. Ah, mas isto foi motivo de loas à atuação, “isto é que é polícia”, “fez o trabalho sem violência”. E dá-lhe pau na polícia carioca, dizendo que a política de enfrentamento não está dando resultado. A Record quer que a polícia combata os bandidos sem atirar! Contra a violência marginal, serviços de “inteligência” e bandeira branca. Tomá no cu! Já disse: violência se combate com violência.

No mesmo dia, em reportagem sobre pedofilia na qual era repisada a participação de um procurador da república no caso de Rondônia, o telejornal chegou ao cúmulo de dizer que “era um absurdo um cidadão com salário de R$14.000,00, que poderia ter todas as mulheres que quisesse, estuprar crianças”. Ah, tá. Se fosse pobre, então, poderia? É isto mesmo? Este tipo de afirmação segue a linha que permeia todo o jornalismo da Record, que pressupõe que pobre é bom, rico é mau. A mesma que faz com que as favelas sejam chamadas de comunidades. Se há questão que não justifique a pedofilia, então, é a financeira. Já escrevi sobre isto e voltarei ao assunto em outro momento.

Para piorar e me deixar mais puto, a Globo ainda fica imitando a Record, preocupada com a perda de audiência, como no caso das “comunidades”, por exemplo. Parece que não aprendeu com a disputa Faustão x Gugu. Merda.

Escrito por Pequiman às 10h43
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A vida e a morte violentas e sem culpa

Não entendo muito do funcionamento do organismo humano. De tempos em tempos, sensações, movimentos e sentimentos me incomodam especialmente. Ultimamente, duas dúvidas maiores me afligem. Uma é a coceira. Pq a gente se coça? “Ah, vc está com a pele ressecada. Foi um bicho que passou e irritou. É fluxo sangüíneo concentrado.” Ahã. O.K. Mas pq coça? Que sensação é essa? Pq a vontade de coçar a cabeça, por exemplo, mesmo estando limpa? Outra dúvida é sobre a oxidação das células. Precisamos respirar para levar oxigênio ao corpo todo, por meio das células. Mas o que nos envelhece é justamente a sua oxidação. O que nos faz viver é tb o que nos mata. Quando praticamos exercício físico, oxigenamos ainda mais o corpo. Pq dizem que faz bem, então? Pensando logicamente, abreviamos nossa vida ao nos exercitarmos, pois a oxidação é acelerada. Já li sobre minhas interrogações e as perguntas continuam sem respostas satisfatórias. Alguém poderia me explicar em linguagem leiga e me convencer?

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Violência se combate com violência. O “violência gera violência” é discurso de fraco ou de quem está armado até os dentes, como a polícia e os bandidos, por exemplo.

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Frase de auto-ajuda retirada daquelas apresentações que alguns contatos colocam no messenger: “Acorde arrependido, mas não durma com vontade.”

Escrito por Pequiman às 11h35
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Adoooro!



Escrito por Pequiman às 17h25
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Educação Física

Lendo a edição especial da revista Veja, entendi pouca coisa. O que mais me intrigou foi o chamado bóson de Higgs, sobre o qual nunca tinha ouvido falar nas minhas aulas de física (ou não me lembro). O pior é que a citada partícula é a grande busca dos cientistas no laboratório europeu. Se não a encontrarem, toda a teoria física cai por terra, pois foi construída segundo a pressuposição de sua existência. Além de não ter sido ensinado corretamente, vide a ignorância sobre o tal bóson de Higgs, tudo o que estudei (e não aprendi) no 2º grau pode ter sido inútil, já que mentiroso. Suportar com dificuldades o professor de física, sofrer antes de tantas provas, fazer cola de fórmulas... tudo em vão. Toda essa história só me reforça uma opinião: tanto quanto a religião, para acreditar na ciência é preciso uma grande dose de fé.

Escrito por Pequiman às 10h58
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O mundo, o Brasil, Goiás e meu mundo.

Obama disse que “os brasileiros pensam que a Amazônia é deles, mas não é”. Financial Times disse que “a Amazônia é muito importante para ser deixada por conta dos brasileiros”. Isso é bom para os comunistas daqui, petistas em particular, muito fãs dos “liberais” do mundo desenvolvido, aprenderem o que é bom pra tosse.

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Só bobo não percebe que as críticas ao exército no caso dos morros do Rio são para expulsar quem atrapalha o crime. É claro que a presença das forças armadas, mesmo assentando tijolos, inibe o tráfico descarado. Nunca vi ninguém pedindo a retirada da PM dos morros. Engraçado, né?

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No dia da votação sobre a autorização da utilização de embriões em pesquisas com células-tronco, um professor-pesquisador da UFG foi entrevistado pela TV, defendendo a lei. Qual a diferença que a decisão do STF faria? Como se alguma instituição de pesquisa goiana fosse contribuir com suas pesquisas para o avanço da manipulação genética.

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Um cartaz nos elevadores do condomínio onde moro convida para a festa junina do prédio, supostamente em “linguagem caipira”, a louvação da ignorância. Não percebi erros de português que já não tivesse visto em outros “comunicados importantes”, nos mesmos elevadores.

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Alguns dizem que não envelheço, que não aparento a idade que tenho. Procurei uma foto putrefata e não encontrei. Significa que não sou corrompido e não tenho vícios. hé-hé

Escrito por Pequiman às 09h59
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BR-000

Vi em uma reportagem que um site vende amostras de sangue de índio brasileiro. Para que algum cientista quereria? Para descobrir o gene da preguiça?

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Li muitos defensores da “liberdade de expressão” argumentando que a imprensa não tem influência nos atos de barbárie cometidos por bandos de desocupados contra o casal Nardoni. Ahã. Pq os telejornais não mostram, todos os dias, esgoto a céu aberto, escolas caindo aos pedaços e doentes jogados pelos cantos dos hospitais públicos? Direcionem a fúria dessa população desempregada, burra e preguiçosa aos palácios e assembléias país afora.

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O fato é antigo, mas não tive tempo de comentar antes. O “Domingão do Faustão” promoveu um concurso entre inventores de todo o Brasil. As 3 invenções finalistas, em ordem crescente: em 3º lugar, uma cadeira de rodas com um mecanismo para subir escadas; em 2º lugar, um consultório dentário portátil e ambulante, para atendimento em comunidades carentes; em primeiríssimo lugar, vale lembrar que pela votação do distinto público, uma caixinha que gela latas de cerveja imediatamente. Diz muito sobre o Brasil, não?

Escrito por Pequiman às 15h24
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Os brutos não amam

“Sangue negro” mostra que rola sangue no processo civilizador; que o desbravamento é para macho; que a religião emascula; que no espaço selvagem não há espaço para amor; que não é possível enfrentar selvageria com carinho. Quanta brutalidade. Quem pensa que conhece alguém casca-grossa precisa ver o filme. Qualquer rude que a gente conheça vira uma mocinha perto dos caras. E ainda tem gente que diz que os bandeirantes eram somente um bando de assassinos, ladrões, exploradores. Eram tudo isso, mas, acima de tudo, corajosos. Imagine entrar no mato e enfrentar doenças, bichos e canibais. Não podemos diminuir o papel fundamental que esse povo bruto teve na formação do mundo como o conhecemos, em todas as latitudes.

Escrito por Pequiman às 11h48
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E a carinhosa ama até demais

Por falar em cinema, até que enfim o Brasil ganhou um Oscar, no segmento em que somos reconhecidos há tempos e o único em que poderíamos ganhar um prêmio de tamanha importância: o sexo. Mônica Mattos é a melhor atriz pornô internacional (fora dos Estados Unidos). O filme pelo qual ela foi premiada é “Devassa”. A garota tem 24 anos, há 3 é atriz e já fez mais de 300 filmes. Já fez sexo oral em cavalo, é a rainha do anal e suas cenas lésbicas são consideradas espetaculares (no meio, é sugerido que ela está tão enjoada de pinto que ultimamente só faz cenas entusiasmadas com garotas). Assistam ao filme que ela fez com Alexandre Frota em que ela faz gang bang, sozinha com dezenas, eu disse dezenas, de homens. No final, os caras fazem fila e ela chupa um por um até gozar. Parece um banco de sêmen.

Escrito por Pequiman às 11h48
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Teoria e constatação

Estava ouvindo a música do Balão Mágico sobre amizade, com participação de Fábio Jr., e pensei: a devassa trash em que se transformou Simony teria sido resultado de abusos impostos pelo galã?

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O PT, antes de ganhar a presidência do Brasil, dizia ser diferente de tudo e todos. Agora, após cada escândalo, se esforça para provar que é igual a todo mundo. Não é engraçado?

Escrito por Pequiman às 11h03
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Ordem e progresso

Conservantes alimentícios causam câncer. O gás da geladeira destrói a camada de ozônio e nos desprotege do sol. Petróleo causa efeito estufa. Celular causa tumor cerebral. Sofá é ruim pra coluna. Será que tudo que a humanidade criou faz mal? Quer dizer que o desenvolvimento é uma merda? Vai cagar. Alguém quer fazer que acreditemos nisso e que é melhor morar no mato catando piolho uns nos outros.

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Como o black english da F1 recebeu ofensas raciais? Ele não tava dentro do carro, com aquele barulho todo? Nem ouviu nada. hê-hê

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Estava eu ouvindo a entrevista de um jogador de futebol qualquer e reclamando dos erros de português do cara. Depois notei que é uma besteira. Conheço doutor que dá aula em universidade e dói ouvir. Tb profissionais de comunicação, empregadas domésticas e médicos. Não sacaneemos, então, somente as classes mais baixas. Ridicularizemos o brasileiro.

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Que pena senti de Ronaldo Nazário. Mas tb o cara corre risco toda vez que entra em campo. Com todo aquele peso sobre joelhos baleados...

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Tem um vereador imbecil querendo tirar a estátua do Anhangüera da praça de mesmo nome. Argumenta que o herói na verdade é vilão, cita os assassinatos e estupros contra os índios. Tomá no cu. Manda o vereador viver da coleta, da caça e da pesca. Já tem a preguiça em comum com os silvícolas mesmo. Será que tá todo mundo contra o progresso, a evolução, a civilização?

Escrito por Pequiman às 17h25
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Mr. T

Sweeney Todd é massa demais! Perdoei até a cantoria. É divertido. Basta ouvir com atenção as rimas engraçadas quando a dupla “demoníaca” decide rechear as tortas com carne humana. Nosso destino é devorar uns aos outros.



Escrito por Pequiman às 00h58
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Sábado de carnaval



Escrito por Pequiman às 16h01
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O mundo é uma bola

Joss sempre fala sobre história e cultura em seus textos de futebol. “O futebol explica o mundo” é um livro sobre globalização e recrudescimento de sentimentos tribais, escrito por um jornalista de economia. Tem gente que ainda diz “não gostar de futebol”. Equivale a dizer “não gostar de política”. Na série “Rivalidades”, da ESPN, aprendi:

Liverpool x Manchester é um antagonismo entre cidades que vem da Revolução Industrial. Liverpool saiu na frente e era uma cidade bem mais rica, até que a administração de Manchester ampliou seus portos, tomou boa parte dos negócios e fez a cidade enriquecer. Talvez isso explique o fato das duas equipes contarem com os fãs mais violentos da Inglaterra. Talvez não;

Sporting é o time da aristocracia, da monarquia, rico. Benfica foi fundado pelo “povo” para ser um representante das classes menos abastadas. Os operários não imaginavam ter criado aquela que seria uma das equipes mais poderosas e ricas da Europa, dona de um estádio que foi palco de muitos dos maiores feitos da história do futebol. Eusébio era pra ser do Sporting, levado por um amigo que lá jogava. A diretoria aristocrata disse que ele deveria fazer teste, como todos. O moçambicano se recusou, pois julgava ser superior, e acabou no Benfica. Ele estava certo. Torcedores do Sporting dizem que os do Benfica não são gente, são animais. Existe um tabu no derby: o time que está em um nível inferior sempre ganha;

Talvez Celtic x Rangers seja a rivalidade que eu mais conhecia antes de assistir ao programa. O Celtic foi fundado por imigrantes irlandeses. Há quem diga que é um time irlandês jogando na Escócia. Celtic x Rangers é uma disputa esportiva, religiosa e social. Celtic era o time dos católicos e pobres, pois os imigrantes ocupavam postos de trabalho inferiores. Rangers era o time dos protestantes e ricos, defensores do domínio inglês. Hoje os dois são ricos. Desde o início, o padre fundador do Celtic não fazia distinção entre católicos e protestantes para formar o elenco. Ele dizia que o Celtic deveria ser um time escocês, e não católico. O Rangers adotou uma política de contratação exclusivamente protestante até os anos 1990. Com isto, o Celtic investia em jovens talentosos protestantes, pois os católicos já estavam garantidos. O Celtic tem um título de Copa dos Campeões. Nos jogos entre os dois rivais, a torcida do Celtic exibe bandeiras da Irlanda e do Vaticano. Ofensivas inomináveis ecoam de parte a parte. O pau sempre quebrou. Esfaqueamentos de fãs rivais que se aventuravam por bairros adversários eram comuns até o surgimento da Premier League e de políticas apaziguadoras. Hoje tudo é mais tranqüilo;

Apesar da rivalidade, as “brigas” entre os torcedores de Boca e River chega a ser engraçada. Boca Juniors é o time da pobreza, dos favelados. Uma visita a Buenos Aires ajuda a reforçar a idéia. O River, com o tempo, ficou associado à elite. O time e os torcedores do River são chamados de galinhas, pq o time costuma pipocar na hora h. Como nas imediações de La Bombonera havia uma fábrica de tijolos que utilizava esterco como matéria-prima, o pessoal do River diz que o lugar fede (como os torcedores e jogadores do Boca tb). Daí a torcida do River usar máscara cirúrgica quando o derby é na casa do rival. Os jogadores do River são assombrados antes dos jogos em La Boca, pois a torcida pula nas arquibancadas sobre os vestiários. Mas as provocações são feitas com graça e riso. Na verdade, a recente violência causadora de mortes dos dois lados é uma anomalia. A seqüência de brigas gerou uma decisão radical: nos clássicos, só torcida do mandante. P.S.: a primeira imagem futebolística da minha memória é o Monumental de Nuñez lotado de papel na primeira Copa do Mundo vencida pelos hermanos, quando eu tinha 4 anos;

Galatasaray x Fenerbahçe me assustou. Eu não sabia que a violência era tão grande. Istambul é cortada ao meio pelas águas. Um lado fica na Europa e o outro na Ásia. O Galatasaray é o time europeu, que já ganhou uma Copa da UEFA. O Fenerbahçe é o time asiático. Os fãs se odeiam mesmo. Os do Galatasaray explicam a sua superioridade com a possibilidade de andar nas ruas de cabeça erguida, com orgulho. Torcer para o time europeu é a certeza de estar acima. Todo clássico tem porrada antes, durante e depois do jogo. Os adversários desejam se matar. A polícia tem muitas dificuldades. A Liga Turca é um campeonato. Os jogos entre os dois é outro. Em uma Copa Turca vencida pelo Galatasaray no campo do Fenerbahçe, ao final do jogo o técnico fincou a bandeira vermelha e amarela no centro do gramado. Os torcedores do time preto e amarelo queriam matá-lo, e isto não é uma figura de linguagem;

Borussia Dortmund x Schalke 04 é a maior rivalidade alemã, surpresa para quem vê o domínio e a visibilidade recentes de outras equipes. O Schalke é o time mais querido da Alemanha, mas não vence o campeonato há 50 anos. Seus torcedores só se referem à cidade dos rivais como “aquela cidade”, “aquele lugar”. Por extensão, “o time daquela cidade”. Não pronunciam o nome e nem a freqüentam, apesar da distância de 60km. Suas diferenças, mais uma vez, vêm do chão das fábricas. O futebol era uma válvula de escape depois de uma semana de trabalho. As cidades disputavam novas indústrias. A briga por novos postos de trabalho era transferida aos estádios;

O confronto espanhol é manjado, mas tudo bem. Barcelona representa o separatismo, a Catalunha. O texto de “melhor do mundo” nas cadeiras do Camp Nou é escrito em catalão. O Real Madrid representa a unidade, a Espanha. Os jogos entre os dois times são como de equipes de dois países. Na casa do Real, a torcida canta o hino espanhol. O Barcelona é a mais vistosa peça de resistência da identidade catalã. Só jogadores nascidos na região conseguem compreender o verdadeiro significado do enfrentamento entre os dois times;

O derby do Norte de Londres é um dos mais antigos do mundo. Ah, mas não fale isto para um torcedor do Tottenham. Simplesmente pq, para ele, Arsenal x Tottenham não é uma rivalidade do NORTE de Londres. O Arsenal é originalmente do Sudeste da cidade e teve que se mudar para o Norte pq a região anterior não comportava dois times. O fato de recentemente o Arsenal ter inaugurado um novo estádio ainda mais para o Norte dá chance aos fãs do Tottenham tripudiarem, chamando os adversários de ciganos, pq não se fixam em nenhum lugar. O rancor aumenta pq o Arsenal costuma tirar craques do Tottenham e tb pq os Gunners já foram beneficiados com uma promoção de divisão no tapetão;

Milan x Inter é meio sem graça, mas vale pq não há outra cidade no mundo a abrigar equipes tão grandes e importantes. O derby de Milão é formado por dois dos maiores times do mundo;

Outra pancada, e das grandes, é Roma x Lazio. Os torcedores da Roma chamam os inimigos de camponeses, pq a Lazio é de fora dos limites originais da cidade. Comprovam isto com os resquícios centralizados do que um dia foi um campo de futebol. Consideram a Roma o único time verdadeiramente romano (é só dar uma olhada no escudo, onde uma criança mama na loba). A Lazio foi a única equipe a resistir ao desejo de Mussolini de reunir todas as equipes romanas em uma só. Não entendo pq seus ultras agora são tão identificados com o fascismo. A rivalidade cria um problema geográfico em Roma. A cidade é dividida pelo time que o habitante torce. Ou vc mora em uma região da Roma, ou vc vive nos limites da Lazio.

Mas... é só um jogo, né?

Escrito por Pequiman às 17h09
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Como criar um preconceituoso

Mãe para filho de uns 3 anos que se afastava emburrado, no parque: “Volta aqui. O mendigo tá lá, ó!”.



Escrito por Pequiman às 11h54
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Lembranças de Natal

Eu me dei alguns presentinhos de Natal. Uns CDs. Bruno diz que sou a única pessoa que ele conhece que ainda compra CDs. Kate Nash é legal nas 4 primeiras músicas. Comprei Ministry e uma coletânea de Human League. Lily Allen é aquela gracinha. Motherfish, para Joss invejar. E o melhor: Britney Spears. Lily Allen disse que ela é muito melhor que Madonna e Fergie. Deve ser pq as duas (Brit e Allen) gostam de encher a cara.

...

Eu entendi “Império dos sonhos”. É um filme sobre interpretação de personagens no cinema, no teatro, na vida. Um filme sobre atores e atrizes, pessoas multifacetadas. Algumas dicas: a calçada da fama; a personagem principal, atriz; prostitutas são grandes intérpretes; a atriz “se assiste”; a discordância entre diretor e atriz sobre quantos papéis foram interpretados; a garota triste assistindo a uma sitcom; os personagens sem rosto, que qualquer ator pode interpretar. Tem mais uma pá. A trilha sonora é uma das melhores de todos os tempos.

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O filme até me inspirou um novo aforismo. “Prostitutas não são pagas para transar, mas sim para obedecer.” By me mesmo.

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Pq os call centers estão todos na Bahia? Tomar no cu. Os da TIM e do Credicard, que mais uso, estão lá. Desgraça. Na tarde de Natal tive que ligar na empresa de telefonia. A baiana, com mais preguiça ainda por trabalhar no dia 24, faltou bocejar. Só repetia: “Norma da empresa, senhor”. Se foder!

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Virou moda agora menino pedir comida em praça de alimentação de shopping. Só faltava essa. A gente ia pro shopping center pra fugir dos riscos das lojas do centro, com medo de ser assaltado. Era um porto seguro. Além de menino de rua, o Brasil agora tem menino de shopping. E não são os filhos da burguesia.

Escrito por Pequiman às 15h09
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Dia-a-dia

Que coisa “artística” é essa de fotografar pobreza? É o chamado lirismo da pobreza? Sebastião Salgado? Prefiro as fotos da Caras.

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Em um restaurante, vi um cara por volta dos 20 anos em início de namoro com uma garota. Ele usava um anel de formatura, dourado, com pedra preta. Pelamordedeus. Se vc não é traficante colombiano nem carnavalesco, não pode usar, né?

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Descobri o motivo do vazio da nova geração. Mad já não faz parte de sua formação cultural.

Escrito por Pequiman às 11h26
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Barulhinho bom

Desde 1996 eu não tinha duas noitadas seguidas. Eu não estava nem perto dos 30 e ainda era adepto do consumo irresponsável. Apesar de descobrir que não sou mais criança e não consigo mais me recuperar de duas noites sem dormir em apenas um dia, me diverti muito e não me arrependo.

A maioria das atrações do Goiânia Noise não me agrada. Além das poucas coisas que me atraem, eu vou pq gosto de estar perto da juventude. Os engraçadinhos podem dizer que não tenho noção, mas até que disfarço bem nas rodinhas universitárias. Tenho poucos e curtos cabelos brancos.

Sexta. Amei Rubín. O cara já contava com a minha predisposição argentina e eu já conhecia uma música bonitinha. Comprei dois discos dele, corri pra conseguir uma caneta (que inexplicavelmente eu não carregava na mochila) e peguei autógrafo no encarte. Tirei foto com o celular, já que em mais um caso inexplicável minha câmara não estava lá. Mas nem precisava, pq Joss já colocou uma. Tb comprei o novo CD do Pato Fu e Lucy and the Popsonics. Fiquei até as cinco primeiras músicas do Pato Fu e fui embora. Continuo gostando da banda, mas estou com overdose dos seus shows.

Sábado, já com caneta e câmara. Não ia. Não tinha companhia, fiquei sem graça de ligar para algumas pessoas, mas a Kal acabou convencendo Joss a ir comigo. Chegamos tarde. Motherfish foi uma grata surpresa. Só me restava Jupiter Maçã. O que eu tinha visto do cara ao vivo era chato. Mas eu queria assistir, para aproveitar minha ida. Como o show anterior era de punk capixaba, fui cedo para o teatro e fiquei no gargarejo, colado à grade. E adorei. O cara agora é glam, apesar da cueca puída. Uma garota da platéia invadiu o palco, agachou em frente ao cara e lambeu seu tronco de baixo para cima. Depois chupou os dois mamilos. Acabou o show e fomos embora correndo, para não correr o risco de ouvir algum acorde do Cordel.

Domingo eu não fui. Não queria ver Mundo Livre nem Sepultura. E nem Nação Zumbi, como foi escrito por um jornalista de O Popular hoje. A Nação Zumbi veio no lugar do Mundo Livre ou o cara não foi ao festival e fez a reportagem?

Agora, as pessoas. Vi uma pá de gente conhecida, o que evita que eu fique deslocado mesmo se for sozinho, apesar da idade e do isolamento social. Preferiria não ter encontrado algumas pessoas. Mas valeu muito a pena ter visto quem merece registro: Joss, Andrielly (até que enfim!), Razuk, Yasmin, Rodrigo, Samuel e Henrique. Vcs fizeram tudo mais divertido e bacana. Até a próxima.

Escrito por Pequiman às 15h27
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O Brasil, "latinos" e Hollywood.

Aguinaldo Silva poderia explicar em seu blog como um favelado de um país cuja população não sabe onde fica no mapa cita Luther King.

...

Brasileiro é patético. Convencionou-se que o uso de fio dental é cuidado higiênico de elite, lá pelos anos 80. Palito seria de pobre. Conseqüentemente, usar palito em público é falta de educação. Mas tô cansado de ver gente passando fio dental na rua, no shopping, no trabalho. Como fio dental é “chique”, o pessoal pensa que usá-lo em público “dá status”. Alguém precisa avisar que estão limpando os dentes da mesma forma. Que o problema não é o palito, e sim expor cuidados básicos.

...

Passei a gostar de “Mucho macho”. Até que é engraçado.

...

“Planeta terror” é divertidíssimo. Só aquele aviso de rolo perdido passou da conta, já que a idéia era parodiar.

Escrito por Pequiman às 22h33
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Jogão

“Offside” não muda minha opinião sobre o cinema iraniano, pois é um filme “universal”. O futebol não é uma metáfora para explicar a situação iraniana, por mais que insistam os intelectualóides. Não há os intermináveis planos-seqüência nem as panorâmicas do deserto, tão ao gosto do pessoalzinho do “cinema alternativo”. É um filme sobre futebol, para quem gosta de futebol. Mostra todos os tipos de emoção e situação que o esporte mais famoso do mundo proporciona: a paixão irracional; o esforço para ver o time; a homenagem ao amigo; a solidariedade; a compreensão; o compartilhamento do prazer e da dor; a loucura; a catarse; as lembranças; o desprendimento; a valorização do pouco que realmente importa; e mais uma porrada de coisas.

Quem nunca foi na quarta-feira à tarde a jogo de campeonato regional que não é do seu time; quem nunca enfrentou o sol das 15h de um domingo para estar na companhia de um amigo em jogo do time dele; quem nunca foi a jogo de torneio continental em dia útil à tarde e chupou picolé Via Láctea; quem nunca ficou debaixo de um toró, à noite, andando de um lado para o outro na arquibancada vazia e saiu com o time derrotado; quem nunca presenciou uma virada aos 47 do segundo tempo depois de estar perdendo por 2 a 0; quem nunca viu o Maradona jogar pela seleção argentina na Copa América; quem nunca foi a um jogo Amigos de Fulano x Amigos de Beltrano no carro de um saudoso amigo e na volta parou no bar e na boate, numa das noites mais marcantes da vida; quem nunca, criança, quarta-feira à noite, foi a Goiás x Rio Verde, no Serra Dourada e machucou assustadoramente a canela na cadeira, sendo tratado com picolé de limão pelo pai, na ausência de gelo; quem nunca, ainda criança, sofreu uma dor de barriga avassaladora, e o pai saiu catando jornal pelo caminho até o banheiro; quem nunca abraça o pai tão forte e sinceramente comemorando um gol no estádio, como em nenhum outro momento da vida; quem nunca se sente tão íntimo e amigo como em um jogo; quem nunca reforça seus laços em uma partida; quem nunca aproveitou o pré e o pós-jogo para conversar seriamente sobre a vida com o amigo; quem nunca leu “Febre de bola”; quem nunca respeita a dor do amigo na derrota do time dele; quem nunca foi a jogo da 2ª divisão do Goiano, no Durval Ferreira Franco, Novo Horizonte x Ceres, e xingou o time de fora de "bambi" pq o patrocinador era o Café Bambino; quem nunca...

Quem nunca, não vá ao filme pq não vai gostar. Quem já, assista.

Escrito por Pequiman às 09h41
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