Mad Maria (mad mesmo)

Alguém pode dizer como Ana Paula Arósio pode ficar dividida entre Fábio Assunção e aquele índio? Coitada da garota do 21.

Escrito por Pequiman às 09h33
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Dor e alívio

Por muito tempo, acreditava que a vingança era inócua, já que não apagava o seu motivo. Matando o estuprador, a sua vítima continua violentada; matando o assassino, a sua vítima continua morta; chifrando o infiel, o chifre continua na cabeça do traído. Então, eu pensava que não adiantava se vingar. O mal já estaria feito e não seria diminuído, muito menos reparado. A garota dubê sempre me disse que o vingador se vingava para si, e não com a intenção ou a esperança de interferir no que já estava feito e motivou a sua reação. Seria uma catarse. Eu negava, mas fui me convencendo. Recentemente, uma pesquisa mostrou que, reflexo de uma vingança, uma determinada área do cérebro era ativada. A mesma área ativada quando uma pessoa é recompensada, como em um elogio por um trabalho bem-feito, por exemplo. Ou seja, o vingador se sente bem ao castigar quem o fez sofrer ou fez mal a algum dos seus. É isto. Vingança é castigo. Não é ambição de reparar algo errado e doloroso. É uma compensação pela dor sentida. A garota dubê tem razão. Portanto, de hoje em diante, vou me vingar de todos que me fizeram algo ruim e eu deixei passar pq acreditava que não adiantava nada fazer alguma coisa. Eu perdôo, mas nunca esqueço. Sou rancoroso. Deixo aquele fato guardado, aparentemente esquecido, para não interferir nos assuntos atuais. Mas, se precisar, volta à tona rapidinho. Por isto, me vingarei por tudo que aconteceu desde que eu nasci. Pela pesquisa, vingança é uma droga. Vou ter overdose.

Imaginar uma dor é mais dolorido do que propriamente senti-la.

Escrito por Pequiman às 07h41
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Vinho com gelo

Sobre a mostra de cinema, eu gostaria de saber onde alguns freqüentadores se enterram durante o resto do ano.

“Closer” não é um filme sobre o amor. É sobre a farsa, verdade/mentira. Além do enredo, até a apresentação dos personagens para o público encerra esta idéia. A personagem de Julia Roberts, aparentemente a mais forte e independente, na verdade é a mais fraca, insegura, indecisa e insatisfeita. Nunca faz o que quer, ou, pelo menos, o que acredita querer. A personagem de Natalie Portman, aparentemente a mais fraca, na verdade é a mais forte, dissimulada, mentindo para todo mundo e só falando a verdade quando fantasiada/mascarada (ou seja, quando menos se espera a verdade).

“O Pântano” é um filme malfeito, mas vale pelo conteúdo. Como observado pelo amigo dubê, sugere que as causas do insucesso latino-americano são a burrice dos índios, o alcoolismo, a religiosidade, o calor e a preguiça de todo mundo. Tudo que precisa ser resolvido fica para depois: o olho doente que precisa de cirurgia, o dente que nasce fora do lugar e precisa ser arrancado, o caso de amor entre a filha adolescente e a empregada, a piscina imunda, a escada fora do lugar. É a inércia coletiva, todo mundo é letárgico. “Deixo a vida me levar...”, que não poderia ser interpretada por ninguém além de Zeca Pagodinho, um ilustre representante dessa turma atrasada. O problema desses países é que ninguém carrega a cadeira para mudar de lugar. Arrasta. Tudo que fazemos é arrastado, lento, como obrigação. O filme começa e termina com este fato. É claustrofóbico na mesquinhez daquela existência. Diogo Mainardi já disse isto em “Contra o Brasil” há muito tempo. Livro e filme não agradaram nossa esquerda burra (perdão pela redundância). Sintomático foi o número de expectadores que deixou o cinema antes de o filme acabar. Só vi isto uma vez, em “Irreversível”, no ano passado, por outros motivos. “O Pântano” foi abandonado por não dizer o que os comunas querem ouvir em filmes “de mostra”. Eles querem uma chancela para o que pensam: que a culpa é dos ianques e afins. Não podem mais nem assistir Godard, onde o paraíso é protegido pelos marines. Os que ficaram saíram fazendo piada. Lisa França, professora que admira o sindicalismo boliviano, soltou um “ah!” no final, como se não tivesse fim, tipo “Acabou assim?”. Pois é. A nossa miséria não tem fim. Fábio Tokarski, deputado estadual do PCdoB, deve ter cochilado. Como deve ter cochilado na página 9 de “O Capital”, o que toda a esquerda brasileira fez (justiça seja feita, com razão, pq o livro é chato pra caralho).

Ando tão calmo. Estou até assustado.

Escrito por Pequiman às 07h39
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Haja saco!

Não estou escrevendo por falta de tempo. É falta de vontade, mesmo. Gosto de compartilhar opiniões, mas ando sem saco. Continuo lendo meus amigos, no mínimo duas vezes por dia. Mas vamos lá.

Estive pensando sobre o nacionalismo e a negação do mesmo. Sou adepto das idéias de Sir Bernard Shaw, veementemente contrário ao ufanismo, que estaria na base de todas as discórdias. Pensei sobre isto pq o contrário tb é perigoso. Por exemplo, me dá asco quando vejo gente enrolada na bandeira brasileira. Daí, comecei a analisar se sou contra algo só por ser brasileiro. O risco é este: ao se posicionar contra o patriotismo, podemos desvalorizar toda a produção de um país para reforçar a opinião. E não, eu não detono tudo o que é made in Brazil só por isto. É claro que vivemos em um país de imbecis. É claro que vivo em uma região onde a imbecilidade reina absoluta. Mas eu adoro Cidade de Deus (e dos Homens tb). Gosto muito da cena musical independente goiana. Torço pelo Felipão (e contra o Luxemburgo). E dou valor a mais uma porrada de coisas. Não pq sejam brasileiras. Mas pq são boas. Como tb creio que a imprensa inglesa de fofocas seja ridícula. Amo a Inglaterra. Mas é impossível que seja por nacionalismo, já que não sou inglês. É pq de lá vem muita coisa que me agrada. E algumas coisas ruins, tb.

Na Veja da semana passada, o politicamente correto André Petry escreveu que a Igreja Católica é cruel, ao remover Dom Pedro Casaldáliga, velho, diabético e hipertenso, de São Félix do Araguaia, depois de décadas. Disse que era retaliação pelas posições políticas do padreco comunista, fundador da Pastoral da Terra e defensor da ordenação de mulheres. Ora, é claro que não foi retaliação. Se fosse, o Vaticano não o teria deixado falando e fazendo o que quisesse durante mais de 30 anos. Ele foi substituído, e é óbvio que a sua presença na região sufocaria o trabalho do novato que chega. O pior é a defesa que Petry faz das idéias e dos ideais de Casaldáliga. Coloca a Pastoral da Terra como algo correto e valioso para o país, se esquecendo do apoio que esta ala da Igreja dá ao MST. Diz que a ordenação de mulheres segue o verdadeiro ideal cristão. Porra, quando vc entra em uma instituição de dois mil anos, deve seguir regras. Que ingenuidade pensar o contrário. Estamos falando de um Estado, que supera a discussão sobre religião. Casaldáliga fez algo digno? Claro. Denunciou a tortura da ditadura militar. É um cara correto, mas com idéias tortas. Mesmo com tantos devaneios, a Igreja nunca o retaliou. André Petry ainda comete o absurdo de comparar o tratamento dispensado pelo Vaticano ao que o Chile dá a Pinochet, dizendo que o país chileno é mais benevolente e perdoa o velho ditador. Puta que pariu! Antes de sair, Pinochet aprovou uma série de leis que o protegeriam. É isto. Já mandei Dom Pedro Casaldáliga há alguns meses. Agora, André Petry, vai tomar no cu.

Não gostaria de falar mais de Lula e seus asseclas. São palavras ao vento, pq creio que ele será reeleito fácil, fácil. Mas o desprezo pelo inglês, só para afrontar os Estados Unidos, a tentativa de interferência nas universidades privadas e o sistema de cotas são demais. Até que fico contente com a sacanagem nas universidades federais, para aqueles professores barbudinhos verem o que é bom pra tosse. Quando paro para pensar, fico cada vez mais indignado com a opinião de gente supostamente esclarecida. É duro ouvir pessoas lidas e/ou estudadas defendendo esse bando de caipiras que governa o Brasil. Fiquei anos vendo a elite intelectualóide do país querendo colocar o imbecil do Lula no poder. Temos uma turma de burros nos representando (até acredito que esses idiotas são a verdadeira expressão do Brasil, este país desdentado e descerebrado). Não consigo entender como gente que estudou pode defender os asnos. Seria sentimento de culpa? Não, não acredito. Eles gostam de ficar olhando para os retardados como se fossem bichos no zoológico. Ficam contemplando-os como espécies raras. Deve ser o que chamam lirismo da pobreza. O amigo dubê me disse que a culpa é da Primavera de Paris. Dali em diante, ficou chique ser esquerdista. Eu, que já não gosto dos covardes franceses... Por favor, me ajudem a tirar o PT do poder em 2006.

Um dos fatores que impede nosso crescimento econômico, cultural e intelectual é o decantado otimismo brasileiro. Uma amiga que trabalhou no BID disse que essa história de país do futuro é uma bobagem das maiores. Só se o futuro for daqui a 100 anos. A visão que o resto do mundo tem de nós é de arrasar. O dinheiro que mandam nunca chega a quem precisa. É quase todo roubado. O que consegue passar pelos ladrões é perdido por incompetência. Não vamos acreditar nas últimas notícias, em que relatórios de organismos e instituições internacionais nos colocam como potência mundial daqui a 10 anos. Ainda mais com o PT. O otimismo tapa o sol com peneira. Precisamos de um choque de realismo.

Então... A vida é uma merda.

Escrito por Pequiman às 09h00
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