Crash
“Crash” vale pelo filme que poderia ter sido. Todas as situações só podem acabar mal. Mas tudo acaba bem, por acaso, fantasia ou capricho do roteirista/diretor. Alguns desfechos são absurdos para a platéia respirar aliviada e se sentir bem. Errado. Eu fiquei puto e os resultados que o diretor propõe dão a entender que o destino pode se encarregar de dar um jeito nas coisas, mesmo que a gente faça muita merda. Eu não cobro verossimilhança no cinema, mas a justificativa para a bala do persa não matar a filhinha do latino é infantilóide. Conto de fadas, utopia típica dos defensores de uma sociedade sem armas. O oposto de “Casa de areia e névoa”, esse sim porreta. A única coisa que dá errado, dependendo da leitura feita, acontece com um policial branco bonzinho. Será que a mensagem é que não compensa ser legal? O filme ainda traz um recurso de comédia no final, “dando uma lição” a quem merecia ser castigado. Tipo “coisa boa, beija o cu da leitoa”, saca? O único momento realmente bom é quando Matt Dillon (meu adorável drugstore cowboy, que me fez ter vontade de ser viciado em remédios) mostra suas razões para a preta do seguro social. Resumindo: fique com o “Crash” do Cronenberg.
Escrito por Pequiman às 14h28
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