Turco
Well, alguém quis me dar lição de moral nos comentários abaixo. Não conheço e não me conhece. Veio na enxurrada, como na brincadeira dos anos 80. A deselegância veio junto.
No post abaixo, falei sobre liberdade de expressão. Como não entenderam ou quiseram falar sobre raça, aqui vai.
Sou descendente de árabes. Desde criança, convivo com as “brincadeiras” típicas. Sou pão-duro, não importa a fortuna que eu gaste ou a minha generosidade. Sou machista, e posso até virar gay engajado que, no fundo, serei machista. Sou muçulmano, apesar de minha família, católica ortodoxa, ter fugido da perseguição aos cristãos. (Vale lembrar que a pecha de muçulmano sempre acompanhou os árabes no resto do mundo, muito antes dos atentados a NY.) Por extensão, sempre fui tachado de simpático ao terrorismo, e minha defesa sionista seria mero disfarce. Sou desonesto, ladrão, e por aí vai. E nada do que me chamavam ou chamam é sem maldade, pois quando não estou presente afirmam tudo isso seriamente. “Só podia ser turco mesmo.” Ou falam para mim sobre os outros. No 2º grau, uma professora humilhava meus colegas. Quando eu respondi à altura, ela disse para a turma: “Turco é grosso mesmo, né?”. Ou seja, ninguém precisa me dar aula de discriminação.
Mais: como descendente de árabes, tenho as características físicas inerentes ao povo. Como não poderia deixar de ser (ou poderia), os apelidos carinhosos em relação ao meu corpo me acompanham. Mas não sou revanchista. Nunca fiz chacota das diferenças físicas dos outros. Nunca chamei ninguém de narigudo, gordo ou anão, pq as pessoas podem ter complexo. Nunca comparo alguém com um artista, por exemplo. A pessoa comparada pode pensar que o artista é feio e não gostar. Citei esse fato desagradável dos apelidos sobre o físico pq, ao ver uma reportagem sobre falta de infra-estrutura na periferia, alguém me disse que as crianças dali crescem revoltadas e, para se vingar, irão balear a cabeça dos abastados no futuro. Não aceito essa justificativa simplista. Da mesma forma que não saio xingando os outros aleatoriamente pq fazem o mesmo comigo, um pobre não pode roubar um rico simplesmente pq o Estado falhou na assistência social. O raciocínio é o mesmo.
Quem me conhece, o que não é o caso de quem me repreende, sabe que sou a favor de direitos iguais para todos, brancos, pretos, vermelhos, amarelos e arco-íris. Ninguém merece ser destratado ou privilegiado por causa de raça, religião ou nacionalidade. E TODOS devem ter o direito de dizer TUDO. Sou liberal. Agora, ser a favor de direitos iguais não significa que penso que todos são iguais. Acreditar que não há diferenças intelectuais entre as raças é infantilóide. Já que a genética foi citada em um comentário abaixo, vamos a um fato. Os Khoisans, que formam uma tribo sul-africana, são os parentes geneticamente mais próximos do homem primitivo. E, de acordo com pesquisas recentes, pequenas diferenças genéticas significam muito. Pq negar e não discutir esse tipo de assunto? Pq é feio? Pq quem diz algo assim não vai para o céu? Ora, se os macacos são diferentes, alguns com certas aptidões, outros com outras, pq os humanos não seriam? Termino com uma pergunta. O que os africanos inventaram além da flecha?
Escrito por Pequiman às 14h59
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