Deus e o diabo
Há mais de um mês, em uma conversa, eu questionava a “ditadura freudiana” na análise de comportamentos “anormais”. Antes dos 1800, a possessão demoníaca era encarada com seriedade. Desde o surgimento do iluminismo, só existem os “loucos”. Freud consolidou a visão de problemas mentais que temos até hoje. Tudo tem uma explicação. O que antes era o diabo mandando alguém matar e se machucar passou a ser esquizofrenia. Pensei novamente no assunto ao assistir a “O exorcismo de Emily Rose”. O promotor sustenta a tese de doença mental. A defesa diz que é caso de possessão. Como vivemos na era das luzes, a razão acima de tudo, temos a tendência de desacreditar tudo o que é místico e religioso. Hoje, as pessoas sentem vergonha de admitir a possibilidade de um demônio encarnar em alguém. Não estou afirmando que é um ou outro, digo apenas que não sei. Sou agnóstico. No filme, uma estudiosa diz que tudo é uma questão de visão. Os “desenvolvidos” aprendem a não acreditar no que não é científico. Mas a própria estratégia da promotoria é uma “tese”. Ou seja, é uma possibilidade. Todas as doenças são especuladas. No século XX, a psiquiatria deu desculpas para autores de crimes brutais. Nos julgamentos, eles costumam dizer que agiram movidos por vozes interiores, pq sabem que assim serão encarados como doentes e receberão atenuantes. Reafirmo: eu não sei. Pq não pode ser possível que alguém seja possuído? Só pq alguém disse que as vozes ouvidas pelos doidos são fruto de um problema no cérebro? Tá. E como começou esse problema? Aí começam as teses, as especulações. Eu rezo. Às vezes sou crente, às vezes sou cético, às vezes sou confuso. Só penso que, se existe Deus, existe diabo. E casos de possessão são relatados na bíblia. Mesmo em dúvida, algo me incomoda muito. Alguns crimes só podem ter sido praticados por alguém com o diabo no corpo. Alguns bandidos agem tocados pelo capeta.
Escrito por Pequiman às 15h53
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