Tudo azul
Tática serve para campeonatos de pontos corridos. Em torneios de tiro curto, como a Copa do Mundo, a motivação é tão importante quanto a técnica e a tática. Daí o sucesso de Felipão, com seu limitado time de Portugal, como era o Criciúma, o Palmeiras, o seu próprio Brasil de 2002. Aquele time de maricas da Inglaterra, muito mais preocupado em voltar para casa, nem aí para a Copa, não é páreo para um time que canta “enfrentar os canhões” antes dos jogos. E as bonecas do outro lado: “God save the queen”. A letra de hino mais bonita é da Suécia, cantando seus campos verdes, a água limpa, a beleza da terra. Nunca vai ganhar nada no Mundial.
Mas quando os dois times têm técnica em grau semelhante e a mesma motivação, a tática é fundamental. E o Raimundo francês deu um show no pé de uva. Uma aula tática. Não suporto os comentários da noite toda dizendo que o Brasil não teve “atitude”. Que porra é essa? Ninguém ganha da seleção brasileira, é o Brasil que sempre perde. Tomá no cu. O Brasil não estava sem vontade. Jogou do mesmo jeito nos outros quatro jogos. A mesma bolinha. Mas hoje enfrentou um time de verdade, com um técnico de verdade. A França não deixou o Brasil jogar. Quero gravar o jogo, não só pela atuação do maestro.
Antes do jogo contra Gana, Roberto Carlos disse que ninguém ganha do Brasil, pq o time canário fica uma hora trancado na sala estudando o adversário. Que sabe como o outro time se comporta na defesa e no ataque, com e sem a bola. Que os outros não perdem mais que quinze minutos observando o Brasil. Primeiro: como ele pode dizer que a comissão técnica de outro país não estuda o jogo brasileiro, se nunca esteve lá? Segundo: dizer que os europeus não estudam o adversário é uma estupidez típica de... Roberto Carlos. No ensino fundamental francês, as crianças lêem uma versão resumida de Marcel Proust. E aqui? Iracema.
O gol francês saiu de uma jogada ensaiada. Concluído pela direita do ataque. Ué, o Brasil não sabe tudo sobre os outros? Essa jogada não estava na fita? Falo sobre os laterais do Brasil desde o jogo das eliminatórias contra o Peru, 1 x 0 suado, gol do leite Ninho. Eu estava no estádio. Falei para Joss que RC e Cafu, este principalmente, eram inviáveis. Estou confortável. Agora vai ser foda. Essa geração acabou e ninguém fez nada para que o impacto da perda fosse menor. 1990 vem aí. Antes de começar a Copa, disse para o meu principal interlocutor futebolístico que a França seria campeã. Como apostei no Brasil em 2002. Não era uma questão de torcida, era previsão. É claro que o time de Zidane pode perder. Mas eu apostava na seleção desacreditada. É minha hora de tripudiar, mesmo que não ganhe o título. Pq não assisto só Campeonato Brasileiro. Henry é o atacante de ponta que terminou a temporada em melhor forma. Zidane é gênio. Futebol é um hobby, uma paixão e um sonho. Não assisto a jogos e fico simplesmente torcendo. De cinco anos para cá, tornei-me um chato das análises. Sou um técnico diletante. Meu pai já não se diverte tanto no estádio comigo. E os telefonemas para Joss ficaram mais longos.
Escrito por Pequiman às 00h47
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