New Division
Quem me conhece bem sabe o lugar que a música ocupa em minha vida. Só algo que me toca tanto para me fazer enfrentar viagem de carro, cidade que não gosto e gripe. Aliás, só bandas especiais para me fazer enfrentar show, diversão que abandonei há algum tempo. New Order é uma delas. A noite de ontem em Brasília foi realmente memorável (não usei essa palavra mais que cinco vezes em minha vida). Todas aquelas músicas que me marcaram tanto ao vivo, com a própria banda. Nunca pensei que fosse presenciar. Além da emoção que um momento como esse poderia me proporcionar, minha idade abriu espaço para que eu fizesse uma observação sobre o papel da música na vida dos garotos. Quem mais ficava enlouquecido a cada hit eram os rapazes de 40. Aliás, os únicos que vibravam. As meninas jogavam a cintura e os braços para lá e para cá, mas os olhos não brilhavam. A música não significa a mesma coisa para meninos e meninas. Os homens têm uma relação profunda com esta manifestação artística. Sua vida é contada a partir de músicas. “Quando eu viajei sem meus pais pela primeira vez, tocava essa música no rádio do carro do meu amigo”. É assim. Os amigos cantavam gritando, olhando um para o outro, quando começavam os acordes daquele single que ouviram juntos há uns 20 anos, provavelmente se lembrando de tudo o que viveram juntos; fazendo uma viagem à adolescência, a mesma que fiz durante quase duas horas. Liguei para Joss 2 vezes, para que ele ouvisse 30 segundos de “Regret” e outros 40 de “The perfect kiss”. Infelizmente, ele só ouviu barulho. Mas entendeu. No meio do show, tocaram “Transmission”, ainda do tempo do Joy Division, e “Atmosphere”, o momento mais bonito do show. Na última música do bis, “Love will tear us apart”. A música acabou, os outros 3 saíram e somente Peter Hook ficou no palco. Ele saiu caminhando e tocando lentamente o refrão no baixo, continuando mesmo depois de desaparecer, por muito tempo. Não chorei como quando vi o pan cake de Robert Smith derretendo a uns 5 metros de distância. Mas sem dúvida foi um dos momentos mais sublimes da minha vida um tanto tediosa. Pensando bem, tenho muita história pra lembrar.
Escrito por Pequiman às 21h29
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