Meninos e meninas
Sabe como é. Eu ouço novamente coisas que não ouvia há muito tempo e passo a analisar tardiamente. Depois dos 18 anos, passei a chamar Renato Russo de infantilóide. Não foi reação ao gosto comum. Tenho cada vez mais certeza disto. Tanto que as únicas músicas que consigo ouvir hoje sem vomitar são justamente as que não fizeram tanto sucesso e não estão entre as preferidas dos fanáticos, como “Teorema” e “Baader-Meinhof blues” (apesar do título desta, que a gente não sabe se é uma denúncia ou uma apologia ao terrorismo). “Faroeste caboclo” é de doer. Reafirma o mito do bom ladrão e compara o protagonista com Jesus Cristo (“aprendiz de carpinteiro”). Como disse Humberto Gessinger, Uns e Outros não imitavam Legião. Os dois imitavam The Smiths. É só dar uma olhada nas primeiras aparições da banda de Manchester. A dança jactante começou lá.
Em tempo. Meu negócio agora é “Cinema Olímpia”, do Caetano. Pq ninguém me apresentou antes? Bando de egoístas. Vou mandar um e-mail para Irritando Fernanda Young sobre o que mais me irrita: adoradores de Almodóvar.
Escrito por Pequiman às 13h48
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