Me entende?
Eu gostei muito de “Babel”. Fui desconfiado, pq não gostei de “21 gramas” tanto quanto de “Amores brutos”. Se ganhar o Oscar, não vou ficar resmungando como no ano passado, com aquela porcaria chamada “Crash”. Os hermanos têm razão quando chamam os brasileiros de macacos. Isabela Boscov confessa sua macaquice em sua resenha do filme, quando cita a crítica de um jornalista de NY, repetindo o argumento: “Iñárritu faz uma interligação descabida de fatos improváveis”. Ora, é uma ficção. Não interessa se a interdependência de acontecimentos tem pé na realidade ou não. Que eu saiba, não é a intenção primária do diretor, que saca artifícios verossímeis (ou não) para mandar sua mensagem (ou não). A realização do filme é excelente tb. Estética e conteúdo. Nossa incapacidade de comunicação, mesmo com o próximo e conhecido, é mostrada literal e metaforicamente. Quando Sofia Coppola fez todo mundo achou bonitinho (eu tb). Algumas discrepâncias. Não concordo com o cacoete justificativo das cagadas terceiro-mundistas. Toda merda que um subdesenvolvido faz é “sem querer querendo”. E não gostei do alerta aos preocupados com a higiene (frescos, na visão do diretor) que diz que quem se cuida de acordo com os padrões do mundo civilizado pode acabar passando pelas situações que sempre evitou, provando que o que não mata, engorda. Além de gostar do macro, não posso deixar de chancelar a visão do diretor em um microcosmo do filme: conseguir alguém para trepar pode ser muito difícil.
Escrito por Pequiman às 20h49
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