Santo Agostinho
Era pra ter escrito quarta-feira passada. Talvez agora eu não consiga expressar todo o meu sentimento. Mas o tempo tb permitiu que eu analisasse friamente se a emoção que senti foi genuína ou se foi apenas saudosismo barato. Bem, eu fiquei realmente emocionado, e pelos motivos certos.
Há uma semana, foi realizada a missa de comemoração dos 70 anos do Colégio Santo Agostinho. Alunos, diretoras, professores e funcionários, atuais e ex, estavam presentes. Encontrei o irmão de um amigo que está no exterior, cumprimentei alguns pais de colegas, abracei uma porção de professores. Nada me tocou tanto quanto ser reconhecido pelos mestres, mais de 15 anos depois. Estou conservado. Minha ex-professora de português, a Pereira, já aposentada, ficou envaidecida quando soube que vivo de escrever e ouviu meu agradecimento pela sua participação nisto. Ela se lembrou de meus contos eróticos e da liberdade que dava aos alunos em um colégio como o nosso, o que me confirmou a grande importância de seu papel em minha educação. Nas oferendas, todos os uniformes do colégio, em toda a sua história, foram apresentados, vestidos por atuais alunos. Quase chorei quando vi o que eu usava. Foi aí tb que notei outro motivo da minha emoção. Não há nada em outras religiões tão bonito, vigoroso e suave como a liturgia católica, da qual fique tanto tempo afastado. A Renovação Carismática, que conheço bem, erra justamente ao atrair jovens para os anexos da igreja utilizando os mesmos métodos neopentecostais, renegando a tradição e o rigor católicos. Por isto é discriminada pelo Vaticano. Até acompanhei, com minha parca afinação, o canto de ofertório, que compartilho aqui:
“Nesta prece Senhor, venho te oferecer, o crepitar da chama, a certeza do dar.
Eu te ofereço o sol que brilha forte, te ofereço a dor do meu irmão, a fé na esperança e o meu amor.
Eu te ofereço as mãos que estão abertas, o cansaço do passo partido, meu grito mais forte de louvor.
Eu te ofereço o que vi de belo, no interior dos corações, a coragem de me transformar.” Na missa do Santo Agostinho, eu reencontrei mais que amigos, ex-colegas e professores.
Escrito por Pequiman às 14h48
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