Show do Milhão
“Milionário favelado” é tão, mas tão melhor que os outros indicados, que ficou sem graça assistir ao Oscar. O filme já foi muito comentado por gente especializada. Não sei se vou falar algo novo, mas tenho duas considerações. Li muito que o filme era fotografado como uma imitação de “Cidade de Deus”. Ai, ai. Miséria é miséria em qualquer canto, saca? (Eu e minhas citações vagabundas.) Quem me conhece de perto sabe que me identifico com os ideais econômicos da direita, seja lá o que isso signifique hoje. Sou capitalista e acredito na liberdade econômica e no mérito. Mas me sinto desconfortável em outros assuntos tão caros à mesma corrente de pensamento, como aborto, eutanásia e drogas. Por exemplo, sobre aborto eu não tenho opinião formada; defendo a eutanásia se o paciente terminal desejar isto por escrito em um momento de lucidez; e sou a favor da liberação das drogas. Se alguém quer me rotular, poderia me chamar de liberal individualista e mesquinho. Disse isso para chegar a um ponto do filme bastante esclarecedor. Abomino a ideia da esquerda que prega que o meio forma a pessoa, quando as condições econômicas e sociais desfavoráveis levam os pobres ao crime. Podem até influenciar, mas não são determinantes. Mas tb não creio que se entregar ou não ao crime seja uma escolha. Quer dizer, pode até ser uma escolha, mas motivada por uma espécie de determinismo genético. Algumas pessoas nascem mais gulosas que as outras e não conseguem controlar o apetite; outras são manipuladas mais facilmente; tem gente que nasce pra jogar bola. Então, existe quem, na oportunidade de delinquir, mata ou não mata, rouba ou não rouba, toma pico ou não toma de acordo com a sua programação biológica. Isto explica gente rica traficando, matando e passando a perna nos outros. É claro que, sob certas condições de pressão, como fome ou agressão, fica mais fácil do gatilho disparar. Mas “passar para o outro lado” só acontece quando a genética empurra. “Milionário favelado” deixa isso evidente na trajetória dos dois irmãos. É só reparar nas reações dos dois, à mesma situação, desde crianças. E não são escolhas deliberadas. “Algo” empurra um para o lado negro e o outro para o lado da luz. Aí me toquei os esquerdóides, inclusive o crítico de cinema do Jornal Anhanguera, não gostaram do filme. Pobre honesto, lutador, humanista, insistente e que só age por amor, para eles, não existe. And the Oscar goes to...
Escrito por Pequiman às 15h28
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Carnaval
“Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar. Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar. Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar. Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar. Quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar. Quem me vê apanhando da vida, duvida que eu vá revidar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar. Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar. Eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar.”
Escrito por Pequiman às 15h02
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