A Suíça não é aqui
Tava esperando a conclusão da história da picareta pernambucana na Suíça. Notem bem. A vagabunda não inventou tudo pensando em dinheiro. O motivo foi mais mesquinho. O “noivo” tava querendo dar no pé e ela inventou a gravidez para segurar o macho. O velho golpe da barriga. Como não tinha neném pra sair, ela precisava de um aborto. Daí, uma fantasia improvável tem mais chance de ser engolida como verdade do que um enredo factível. Mas não é isso o que mais me interessa. O que me motiva é a oportunidade de mais uma vez comprovar a mentalidade idiota dos trópicos. A brasileirada, começando pelo presidente, passando por sociólogos e psicólogos e terminando nas mesas de boteco, babou para falar da xenofobia. E xenofobia de um país historicamente neutro e com 25% de estrangeiros na população. Engraçado brasileiro falar sobre isto. Um povo que reclama da “invasão argentina” nas praias de Santa Catarina! (Argentino adora brasileiro. Só tem rivalidade no futebol e ainda faz piada com o assunto. Odeia de verdade chileno e inglês, animosidade incentivada desde a pré-escola. Tupiniquim não consegue nem escolher inimigo direito.) Façamos um exercício de imaginação. Suponhamos que, empurrados pela crise, os argentinos resolvessem vir “tomar” os empregos dos brasileiros como garçons, faxineiros, carregadores. Se o Brasil reclama de um povo que vem curtir uma praia e deixar seu dinheiro em hotéis, restaurantes e barracas de coco, teríamos escalpo portenho (eu sei que o termo não está correto) se o mesmo povo viesse “tirar” o ganha-pão dos brasileiros. Esse é o país que se julga solidário, bacana e hospitaleiro.
Escrito por Pequiman às 15h54
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Quarta-feira de Cinzas
O governo distribuiu, durante a folia, lubrificante para “homens que fazem sexo com homens”, segundo a repórter. O cara resolve comer/dar o cu e eu tenho que facilitar as coisas? Aí já é demais, né?
Escrito por Pequiman às 11h21
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Oscar

Minha homenagem ao único Oscar brasileiro, até hoje e para sempre. O país só poderia ganhar um prêmio desse porte fazendo sexo. Tenho muito orgulho de Monica Mattos. Isto não é uma ironia. Eu acho pornografia massa. Iconoclasta. Desconfio de gente que tem nojinho, acha o ó. Nem chego a sentir muito tesão. Digo apenas entender isto como parte da cultura pop. Não encaro a pornografia como algo condenável, sujo. (Quer dizer, tem momentos sujos, if you know what I mean.) Putz, a Monica Mattos no Jô é sensacional. O cara que, absurdamente, representa a inteligência brasileira e costuma tratar de assuntos supostamente mais importantes, entrevistando a rainha pornô. A garota que chupa cavalo, transa com travesti, chega a assustar no gang bang, realiza dupla penetração anal, tá lá, pro Brasil ver. O establishment tem que engolir a garota na TV aberta. Atualmente, Monica Mattos é a maior atriz brasileira. Seu nome nos créditos é garantia de sucesso internacional para qualquer filme que estrele. Será que já ganhou dinheiro suficiente para parar de fazer programas? A feira erótica de Las Vegas, com as maiores estrelas da sacanagem, é lotada. A galera vai e não tá nem aí. Sex shop é bacana. Eu não compraria uma boneca inflável, mas é divertido. Esses ex-atores e atrizes globais que fizeram e fazem pornô tb são legais. Quebram uma barreira. O fato de serem marginalizados é ridículo. (Tá bom, tá bom, o Alexandre Frota fez filme até com travesti. Mas ele já era marginal antes.) O Roger (do Ultraje, tá?) ter posado pelado acabou com a ridícula fantasia dos anos 80. Não vi a revista, me envergonho por ele, mas o cara era conhecido pelo alto Q.I. e disse “foda-se”. Não estou dizendo que o mundo pornô é uma profissão como outra qualquer, que não é degradante, que é cool. Só penso que não é ilegítimo e não faz ninguém pior por participar. Ou gostar.
Escrito por Pequiman às 17h37
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