Pessoa
Eu não consigo me enxergar como anarquista. Não flerto com o caos. Mas acho inadmissível, por exemplo, o estado deliberar sobre meu corpo. Como um punhado de burocratas decidir onde é permitido fumar, quanto alguém deve pagar de imposto sobre o dinheiro que guarda no banco, para qual país uma pessoa pode viajar. Me interessam os dramas individuais. Por isto, abomino tanto as esquerdas, para as quais só existe o novo homem, a coletividade. Qualquer medida tomada pela elite burocrática, o estado, só leva em consideração o bem da maioria, sempre em detrimento de algum grupo. Ao remover casas de áreas de risco, ninguém quer saber o que pode acontecer com uma família específica, que irá para um local definido pelo poder público. Alguém pensa que, de sua nova casa, geralmente onde Judas perdeu as botas, o pai não conseguirá mais chegar ao trabalho em menos de 3 horas? “Ah, mas ele morava em situação irregular.” O.K., provavelmente. Mas pq deixaram a família se estabelecer em uma invasão, criando vínculos e tocando a vida daquele jeito, para depois de anos utilizar enchentes ou linhas de trem como pretexto para a remoção? Esta família, que nada tem de hipotética, vive em um mundo sem lei, acreditando que a situação é eterna. Mora em uma invasão, não tem escritura, mas tb não tem hospital, escola nem carteira assinada. A atuação estatal faz acreditar que é uma troca: “Vc não paga IPTU, mas tb não venha me cobrar médico sábado e domingo no posto de saúde, que aí já é demais”. Daí, quem sempre se lixou para essa gente resolve se preocupar com a sua segurança, junta pai, mulher, filho, cachorro, panela e cama de campanha, derruba a casa e leva “esse povo” pra longe. Assim é a burocracia estatal, muito mais enfatizada em um governo esquerdista, que age sempre em nome de um projeto. Decidem o que plantar, qual profissão seguir, onde morar. Exemplo recente: para justificar as mudanças na poupança, Lula disse que não mexeu em nada, pq 99% dos depósitos ficaram do mesmo jeito. Sacou? 1% não conta, é estatística. Se uma pessoa fosse prejudicada, já seria indecente. Por isto rejeito tanto pesquisas. Uma pessoa não pode representar um grupo, só pq tem mesma faixa de renda, mesma formação educacional e mesma origem. Esta pessoa das pesquisas qualitativas pode gostar de azul e um representado seu de marrom. O estado não lida com pessoas, lida com números. Reitero: me interessam os dramas individuais.
Escrito por Pequiman às 10h56
[]
[envie esta mensagem]
|