A dama de vermelho
Sim, eu estou com vergonha. Vergonha alheia, saca? Tenho uma tendência a pensar que fatos como o da garota do vestido curto na faculdade só acontecem em lugares de vagabundos, como o Brasil. Me ajude. Isso aconteceria em alguma nação avançada? Não sei. Ou tenho vergonha pelos brasileiros, ou pelos humanos. Aquilo é a barbárie. É como a extirpação do clitóris no Sudão. É como o apedrejamento de mulheres adúlteras em algum país árabe. É como caçar albinos e comer partes de seu corpo em ritos de feitiçaria. É coisa de um ser que não evoluiu. “Puta. Estupra. Dane-se que ela tá chorando.” Isso tudo foi dito na universidade. Vi gente dizendo que o vestido “nem era tão indecente”. Ela poderia estar pelada, não importa. Voltamos à época em que bastava que a mulher fosse desejada e arrastada pelos cabelos? Fico aqui pensando... Isso tb pode ser fruto do caldo espiritual que está sendo criado em alguns países. A intolerância, que não se manifesta apenas contra minorias, mas simplesmente contra o outro, o diferente, que não pensa a mesma coisa, não trabalha no mesmo ramo, não vota no mesmo partido. Creio que é resultado das duas coisas: o atraso evolutivo e o ambiente intolerante, que favorece a manifestação dessa gente. Vivemos tempos estranhos, já disse. O politicamente correto é seletivo, serve só para “reparar injustiças históricas”. É desse mesmo pensamento que decorre a intolerância com a divergência, por mais paradoxal que pareça. Você TEM que ser a favor do casamento homossexual, do aborto, das cotas. Ora, se vc é execrado por discordar, já não é intolerância? Esse é o espírito de nosso tempo. Vivemos o deserto. Passa, mas demora. Estou enojado, mas não decepcionado. Espero tudo, de bom ou de ruim, da humanidade. O que fizeram com a garota não me surpreendeu, não me chocou, o que não quer dizer que eu não tenha ficado com vontade de vomitar.
Escrito por Pequiman às 18h42
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